Deficiência visual, lazer e quarentena

#PraCegoVer imagem ilustrativa. Na imagem há uma mulher de costas, ela olha na direção de uma janela de vrido e usa fones de ouvido. Está escrito: "Deficiência Visual, Lazer e Quarentena" #QualidadeDeVida e há a logo da Retina Brasil.

Ter um tempo livre para descansar e se divertir é fundamental para promover o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas com ou sem deficiência visual. Por meio do lazer é possível tirar o foco dos problemas cotidianos, relaxar e desenvolver a criatividade. O lazer permite a busca de soluções mais assertivas e inesperadas, pois após um tempo de diversão conseguimos fazer novas conexões, pensando de forma ampla. Além disso, o lazer traz interação, podendo inspirar ideias e propiciar felicidade. 

Portanto, procurar formas de lazer quando se enfrenta a perda de visão contribui positivamente para o processo de adaptação. No momento de isolamento social é importante não deixar a diversão de lado. Então separamos algumas dicas acessíveis para as pessoas com deficiência visual encontrarem o seu lazer na quarentena:

  • Assistir a filmes e séries com áudio descrição: atualmente existem muitos filmes, séries e até documentários com áudio descrição disponíveis pela internet e em serviços de streaming, como a Netflix. A áudio descrição amplia a acessibilidade do conteúdo audiovisual, levando mais acessibilidade e diversão. Para assistir um filme com áudio descrição, geralmente é necessário ativar o recurso que costuma estar entre as opções de áudio do filme, série ou documentário. 
  • Usar a tecnologia para ler livros: a perda da visão não é mais desculpa para deixar de ler um bom romance.  Existem vários recursos disponíveis para fazer a leitura de um livro, e muitos são gratuitos. Se você tiver o livro físico em papel, você pode além de usar as lupas de leitura, recorrer ao aplicativos que transformam o texto do livro em áudio. Esses apps usam a câmera de seu smartphone e basta apontar o celular para a página que deseja ler, clicar e aguardar alguns segundos para o celular começar a ler. Esses apps são, por exemplo: Seeing AI e Prizmo Go. Para escutar os arquivos digitais, um app muito usado pela pessoa com deficiência visual é o Voice Dream, basta colocar o arquivo que deseja no aplicativo e dar play que ele começa a ler, é bem prático. Por fim, os audiolivros são também uma excelente opção. Audiolivros podem ser adquiridos em livrarias e existe um serviço de assinatura muito conhecido o Ubook, que permite escutar revistas, livros e jornais pelo celular. Existem outros apps além dos citados que também funcionam muito bem.
  • Escutar Podcasts: Podcasts são conteúdos em áudio, similar a um programa de rádio. A mídia tem crescido muito recentemente e há conteúdos para todos os gostos, de temas jornalísticos, até ciência e entretenimento. Para escutar um podcast é simples e há algumas maneiras. É possível escutar pelo aplicativo do Google PodCasts (se o seu celular for um Android), ou o aplicativo da Apple Podcasts (se o seu celular foi um iphone). Para amplos os aparelhos você pode escutar podcasts pelo aplicativo do Spotify, que também permite ouvir uma boa música. Basta procurar o nome do podcast que deseja escutar.
  • Assistir às lives: lives estão em alta e há lives de diversos os temas praticamente todos os dias. As lives costumam acontecer no Instagram, no Facebook ou no Youtube e todas essas mídias são acessíveis por leitor de tela. Portanto, assistir às lives é uma boa forma de passar o tempo e elevar o astral. A Retina Brasil tem feito lives todas as terças-feiras às 19h no Youtube #ficaadica!
  • Convidar os amigos para uma conversa online: o isolamento social não significa a perda do contato com as pessoas. É possível manter a amizade e até fazer uma boa reunião entre amigos online. Para fazer uma reunião online de forma fácil e gratuita  pode-se usar o aplicativo do Skype ou do Google Meetings. Basta criar uma reunião, gerar o link e enviar para os amigos!

O importante é procurar fazer o que gosta e se divertir!

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Autoestima e qualidade de vida

#PraCegoVer foto ilustrativa de diversos produtos de maquiagem, como sombras, batom, gloss, etc. Está escrito "Autoestima e qualidade de vida" e há a logo da Retina Brasil.

Lucia Helena Florio

O comprometimento da visão durante os processos degenerativos da retina traz a dificuldade e a perda do interesse da pessoa com deficiência visual no seu cuidado diário com sua aparência e bem estar. Frequentemente, autoestima e qualidade de vida caem e essa pessoa precisa de um trabalho psicológico, de adaptação e reabilitação para continuar suas atividades do cotidiano.
Porém é possível virar a página e escrever uma nova história. Quando a pessoa começa a conhecer suas capacidades e as ferramentas para trilhar um novo caminho, ela aprende que consegue se cuidar mesmo sem poder se enxergar à frente do espelho.

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Hoje em dia, temos diversos recursos para que esse cuidado seja pleno e agradável, trazendo autoestima e bem-estar. A moda, a maquiagem e os produtos de beleza exercem esse papel de maneira transformadora.
Quem não gosta de se vestir bem, aprender a se cuidar melhor com produtos adequados ao seu tipo de pele e ainda fazer sua própria maquiagem com autonomia? E aquele cabelo bem cortado, a barba bem-feita e o perfume agradável? Pois é, toda pessoa com deficiência visual deseja estar bem por dentro e por fora. É necessário ressaltar que com as adaptações isso tudo é possível de se realizar e incorporar no seu dia-a-dia.

Além de melhorar a própria autoestima, esse autocuidado impacta positivamente na visão dessa pessoa perante a sociedade, tornando melhor o convívio nos relacionamentos interpessoais, como em família, e principalmente no trabalho.

No caso da mulher com deficiência visual, esse impacto torna-se ainda mais intenso quando ela aprende as técnicas de automaquiagem utilizando as pontas dos dedos e desenvolve sua sensibilidade tátil para uma aplicação correta e adequada de cada produto, transformando sua autoestima e quebrando a barreira do capacitismo.

No vídeo, apresentamos uma amostra de como isso é possível. Assista:

Portanto, a autoestima bem trabalhada é essencial na qualidade de vida de qualquer pessoa, mas se faz especialmente importante para a vida da pessoa com deficiência visual, fortalecendo-a internamente e trazendo uma boa imagem perante a sociedade.

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Os benefícios da educação e da leitura na qualidade de vida das pessoas com deficiência visual

#PraCEgoVer imagem ilustrativa. Há um livro com uma lupa de mão tradicional. Está escrito: " Os benefícios da educação e da leirura na qualidade de vida das pessoas com deficiência visual"; Há a logo da Retina Brasil

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), qualidade de vida é a percepção que temos em relação aos nossos objetivos, expectativas, padrões e preocupações diante de um contexto sistemático de valores e cultura. Embora não haja um conceito único e definitivo sobre o tema, especialistas chegam ao consenso de que o próprio indivíduo é capaz de ressignificar e construir meios que contribuam para a melhoria na sua qualidade de vida.

A qualidade de vida está tradicional e intrinsecamente associada à ideia de felicidade e bem-estar, portanto, é comum que busquemos fatores que nos conecte à estabilidade tanto da saúde física e mental quanto da emocional, intelectual e espiritual.

Um fato recorrente na vida das pessoas que perdem a visão, principalmente na vida adulta, é a dificuldade em dar prosseguimento aos estudos, tanto para completar o ciclo educacional quanto para a readequação a uma nova carreira. Por outro lado, são inúmeros os relatos de pessoas com deficiencia visual que romperam as barreiras impostas pela falta de acessibilidade e conquistaram não apenas o tão sonhado diploma como também a autoestima necessária para retomar a vida profissional.

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De acordo com um estudo realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), pessoas que estudam mais tendem a ser mais felizes e ter uma expectativa de vida maior, pois, segundo os autores da pesquisa, as pessoas desenvolvem novas habilidades, melhoram a sua condição social e passam a ter acesso a redes que auxiliam na realização de conquistas pessoais.

Além da LBI (Lei Brasileira de Inclusão, nº 13.146/15), que assegura os direitos das pessoas com deficiência em diversos âmbitos, inclusive o educacional, existem também leis que corroboram para a inclusão destas pessoas no ensino superior, como é o caso da Lei nº 13.409/16, que institui cotas para pessoas com deficiência em universidades federais, e do ProUni (Programa Universidade para Todos), que também estabelece cotas de bolsas para pessoas com deficiência em universidades privadas.

Ademais, para aqueles que não pretendem ingressar em um curso superior, é possível também dar continuidade aos estudos em instituições destinadas à reabilitação de pessoas com deficiência visual. Muitas destas instituições têm como parceiros empresas que financiam cursos de qualificação profissional e cursos extracurriculares, que ajudam a aprimorar o conhecimento em diversas áreas.

Por fim, outro ponto que deve ser observado é que estudar envolve também a questão da falta de materiais didáticos acessíveis, uma das grandes preocupações de quem perde a visão na vida adulta, principalmente, pelo fato de não ter sido alfabetizado por meio do sistema Braille. Nessas horas, é a tecnologia a grande aliada da inclusão, permitindo que a leitura de livros digitais e, até mesmo livros físicos, sejam lidos por meio da síntese de voz de aplicativos disponíveis em dispositivos móveis ou em computadores.

Tendo em vista que a leitura de livros não é mais um empecílho na vida da pessoa com deficiência visual, podemos elencar também mais este item à melhoria na qualidade de vida de quem estuda. Já é cientificamente comprovado que a leitura traz inúmeros benefícios à saúde mental e intelectual, como por exemplo, melhorias da função cerebral, desenvolvimento do poder comunicativo, estímulo da criatividade e do senso crítico, além de proteger contra doenças como o mal de Alzheimer.

Portanto, estude mais, leia mais! Mesmo que enfrente obstáculos pelo caminho, tenha em mente as palavras do filósofo Confúcio: “Não importa o quão devagar você vá, desde que não pare”.

Referências:

OMS. The World Health Organization Quality of Life Assessment (WHOQOL): position paper from the World Health Organization. Social science and medicine. v.41, n.10, 1995, p.403-409.

Acesso ao estudo citado:

http://www.oecd.org/education/skills-beyond-school/EDIF%202013–N°10%20(eng)–v9%20FINAL%20bis.pdf