Terapia gênica para doença hereditária da retina realizada em São Paulo

O interesse pela terapia gênica já é estudado e pesquisado, desde 2007

Por Renato Conte

A equipe do setor de Retina e Vítreo do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), realizou no último dia 19 de setembro, a primeira cirurgia intraocular para aplicação de terapia gênica (voretigeno neparvoveque).

 “Inédita no serviço público de saúde no Brasil, o procedimento se dá, pela inserção de material genético em um organismo com finalidade terapêutica. A terapia usa um vetor para carregar o DNA para dentro da célula. No caso da terapia gênica realizada na Escola Paulista de Medicina EPM/Unifesp para tratamento da retina, o vetor usado foi um adenovírus associado que carrega o gene RPE65, chamado voretigeno neparvoveque-rzyl (Luxturna, Novartis)”, explica a especialista e coordenadora da equipe, Juliana Sallum.

O interesse pela terapia gênica já é estudado e pesquisado, desde 2007, pela equipe da EPM/Unifesp. “Quando esta terapia foi desenvolvida, realizamos a genotipagem e estudo de história natural de pacientes com doenças hereditárias da retina. O grupo de pesquisa participa de outras iniciativas relacionadas a outros genes relacionados às distrofias de retina”, destaca Sallum.

Segundo a equipe, para a medicina, a terapia é uma nova forma de tratar uma doença ocasionada por um defeito genético, mutações que alteram os genes e causam alteração da função das proteínas. E futuramente, será usada para doenças mais frequentes. No momento esta técnica se aplica à Amaurose congênita de Leber ou Retinose pigmentar relacionadas ao gene RPE65 – Uma doença rara na qual a criança já manifesta nistagmo (movimentos involuntários e repetitivos dos olhos) e baixa visão desde o nascimento.

Existem estudos para outras doenças da retina em fase de pesquisa clínica, e vários estão em andamento para diversas situações raras. “As terapias avançadas genéticas e celulares despontam, mas muitos estudos e pesquisas serão necessários nesta área”, salienta a coordenadora.

O Departamento de Oftalmologia adequou as instalações do seu centro cirúrgico e treinou equipe de oftalmologistas, enfermagem e farmacêuticos para estes procedimentos. O time de pesquisa clínica tem expertise desde a fase de condução de pesquisa nesta área. Trata-se de um Centro de Referência em Doenças Genéticas da Retina.

Participaram da cirurgia: Profa. Dra. Juliana M. Ferraz Sallum e Prof. Dr. Mauricio Maia com a colaboração de inúmeros integrantes do Departamento de Oftalmologia, Dra. Jaqueline anestesista, equipe de enfermagem e dos farmacêuticos Adiel e Douglas.

Descrição da Imagem: Equipe responsável pela terapia gênica

#RetinaBrasil #Oftalmologia #TerapiaGenica  #DoencasOculares #DoencasdaVisao

O que é terapia gênica?

imagem de um filamento de DNA com corte em um segmento. Está escrito: "O que são terapias gênicas?:" e há a logo da Retina Brasiil

A terapia gênica consiste na introdução de material genético em uma célula alvo, com o objetivo de alterar o produto genético das células e logo o seu funcionamento. As terapia gênicas visam tratar ou interromper a progressão de doenças hereditárias, ou seja, de causa genética. A terapia gênicaa permite que as células afetadas recuperem algumas de suas funções e produzam as proteínas necessárias para o seu funcionamento. O conceito de terapia gênica existe há mais de 50 anos e muita pesquisa já foi realizada desde então, visando desenvolvimento de métodos de entrega dos genes, segurança e eficácia. Atualmente existem milhares de pesquisas clínicas em terapia gênicas para diversas doenças. Entenda melhor sobre os tipos de terapia gênicas para as doenças hereditárias da retina.

Alguns tipos de Terapia Gênica para as Doenças Hereditárias da Retina (DHRs)

Aumento do gene: entrega de cópia funcionante do gene

É o tipo de terapia gênica que utiliza vetores virais e ou sintéticos para a entrega do gene, um vetor bem conhecido é o adenovírus. Existem outros vetores virais sendo estudados como o lentivírus e até técnicas de utilização de dois vetores virais combinados, vetor viral duplo. O desafio na utilização do uso de vetores virais, como o adenovírus, é o tamanho do vírus e dos genes. Alguns genes são muito grandes e não conseguem ser introduzidos no adenovírus, por essa e outras razões é que existem estudos utilizando outros vetores víruas, vetores sintéticos e os vetores duplos. Existem pesquisas utilizando essa técnica para diversos genes que causam doenças da retina.

O voretigeno nevarvoque (nome comercial Luxturna) que é a primeira terapia gênica aprovada para uma doença da retina que utiliza essa técnica. Nesse caso um adenovírus modificado é introduzido na retina levando a cópia correta do gene RPE65.

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Saiba mais sobre as Doenças Comuns da Retina (DMRI, Retinopatia Diabética, etc.)

Saiba mais sobre as Doenças Raras e Hereditárias da Retina (Retinose Pigmentar, Síndrome de Usher, Doença de Stargardt, etc.)

Inativação do gene: bloqueio da expressão do gene deletério

Esse conceito é interessante para tratar doenças autossômicas dominantes, que acontecem quando a doença se manifesta bastando que a pessoa afetada tenha uma cópia do gene. A ideia é bloquear a expressão do gene causador da doença. Há pesquisas desse tipo para o gene da Rodopsina e doença autossômica dominante de Best.

Editing Antisense Oligonucleotide (EAONS): correção do defeito alvo após a transcrição, mas antes da translação

Nessa técnica são introduzidas moléculas de RNA nas células alvo. Para as doenças da retina essa técnica tem a vantagem de tratar toda a retina e não apenas a região que recebeu a medicação como no caso das terapias gênicas que utilizam vetores virais. A desvantagem é que são necessárias aplicações frequentes da medicação. Essa técnica não modifica o DNA do paciente, é destinada a mutações específicas dos genes, não é necessário nenhum vetor de entrega e a introdução da medicação é feita por injeções intra vitreo. Existem pesquisas utilizando essa técnica para casos específicos de Amaurose Congênita de Leber, Síndrome de Usher, entre outras doenças.

Edição genética CRIPR, sistema CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats)

O CRIPR usa uma combinação de duas moléculas para editar o gene: uma enzima para modificar o gene e uma guia de RNA que ajuda a localizar o segmento a ser editado. Existem pesquisas utilizando essa técnica para algumas doenças da retina, como para a Amaurose Congênita de Leber.

Veja mais sobre as terapias gênicas para as doenças hereditárias da retina:

 

Considerações finais

A única terapia gênica aprovada para uma doença hereditária da retina é a medicação voretigeno nevarpoveque (nome comercial Luxturna). Essa terapia é exclusiva para pessoas com retinose pigmentar e amaurose congênita de leber relacionada à mutações bialélicas no gene RPE65. É uma terapia que utiliza um adenovírus modificado que é introduzido na retina, levando cópia correta do gene RPE65.

Apesar de haver apenas uma terapia gênica aprovada até o momento, a notícia boa é que existem muitas pesquisas em andamento para diferentes genes e com distintas técnicas. Existem pesquisas de terapia gênica para outros tipos de amaurose congênita de leber e retinose pigmentar, Síndrome de Usher, Doença de Stargardt , etc. As pesquisas têm colaborado para o desenvolvimento de novas técnicas, como os olé nucleotídeos (RNA), terapias de vetor viral duplo, técnica do CRIPR, etc.

Veja mais sobre o Luxturna:

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Faltam 2 dias para o fim da Consulta Pública 67

ao fundo aparece uma foto de pessoas com máscara protestando. O texto no topo diz: FALTAM 2 DIAS. No centro, alinhado à esquerda o texto diz: Participe da consulta pública número 67 para evitar a perda irreversível da visão de crianças e jovens. No canto inferior esquerdo há a logo da Retina Brasil, no centro a #RPE65 e no canto inferior direito um desenho de uma mulher com megafone e um homem com os braços para cima, protestando

Faltam 2 dias para o fim da Consulta Pública 67

Você ainda pode opinar na Consulta Pública sobre a incorporação no SUS da PRIMEIRA MEDICAÇÃO APROVADA para tratar uma doença hereditária da retina no mundo.

Até a próxima SEGUNDA-FEIRA (09 de agosto) a Conitec aguarda nossas opiniões na consulta pública 67 que está analisando a incorporação do voretigene neparvoveque (LUXTURNA) no SUS. Basta preencher o formulário

CLICANDO AQUI!

Mostre seu apoio para que as pessoas tenham acesso ao ÚNICO tratamento que pode reverter uma perda visual severa.. Dê sua opinião na consulta pública 67 da Conitec. Basta preencher o formulário e dizer que é A FAVOR DA INCORPORAÇÃO DO MEDICAMENTO NO SUS.

As pessoas com mutações no gene RPE65 apresentam perda visual severa desde a infância. Sem tratamento, a doença evoluirá para uma cegueira IRREVERSIVEL.

Hoje temos uma medicação para que esses indivíduos não fiquem totalmente cegos. Opine na consulta pública 67 e lute contra a cegueira.

Esses jovens necessitam que a medicação esteja disponível no SUS para receberem seus tratamentos. A saúde é um direito de todos. Opine nessa consulta pública para que o direito dessas pessoas seja garantido.

Lembrando que a participação é gratuita e ATÉ DIA 09 DE AGOSTO. Basta preencher o formulário abaixo.

Clique aqui para opinar

Sua opinião será importante para garantir que essas pessoas tenham a chance de estabilizar a perda IRREVERSIVEL da visão.

O que é terapia genica? Opine na Consulta Pública 67

Ao fundo aparece uma foto de pessoas com máscara protestando. O texto no topo diz: O que é terapia genica?. No centro, alinhado à esquerda o texto diz: Conheça melhor o que é terapia genica e como chegamos até aqui. No canto inferior esquerdo há a logo da Retina Brasil, no centro a #RPE65 e no canto inferior direito um desenho de uma mulher com megafone e um homem com os braços para cima, protestando.

O que é terapia genica? Opine na Consulta Pública 67

Algumas terapias atualmente desenvolvidas e em desenvolvimento para tratar distrofias hereditárias  da retina tem como base a identificação das mutações genicas causadoras dessas distrofias e como essas doenças são causadas por elas. Surgem, assim, as terapias de genes que são mais especificas e seus  estudos clínicos são desenvolvidos para testar a eficácia e segurança em indivíduos com mutações genéticas particulares. Trata-se de medicações bem personalizada que abrangem um número de pacientes, mas que não funcionam para toda e quaisquer distrofias de retina.

A primeira medicação para uma doença hereditária da retina está em avaliação no Ministério da Saúde para incorporação no SUS. Você tem a chance de opinar na Consulta Pública 67 da Contec sobre a incorporação do voretigene neparvovec no SUS.

OPINE AQUI!

Colaborando você tem a chance de contribuir para que a medicação chegue a quem necessita dela para ter um futuro melhor.

As terapias genicas são desenvolvidas para mutações bem especificas. No caso voretigene neparvovec a medicação é indicada para pessoas com Amaurose Congênita de Leber e Retinose Pigmentar causadas por mutações em ambas as copias do gene RPE65 com suficientes células viáveis.

Tipos de Terapia genica

As pesquisas em desenvolvimento têm abordagens diferentes para cada tipo de mutação e os efeitos que estas causam no organismo. O tipo mais comum de terapia genica em desenvolvimento é o aumento do gene. Esse tipo de terapia visa entregar uma cópia sadia do gene para que esta faça com que as células fotorreceptoras comecem a funcionar corretamente.

No entanto, em alguns casos esse tipo de abordagem não funciona. Outro tipo de terapia para DHR em desenvolvimento é a “inativação dos genes” que é utilizada para inibir as mutações que causam distrofias da retina por produção de proteína prejudicial. A “edição de genes” também vem sendo desenvolvida para reparar as mutações diretamente nas células afetadas da retina.

A primeira terapia genica aprovada

Após muitos anos de pesquisa, existe uma única medicação aprovada para tratamento de doenças hereditárias da retina. O voretigene neparvovec (conhecido comercialmente como LUXTURNA) foi aprovado pelo FDA (EUA) em 2017 e pela ANVISA em 2020. Essa medicação é para um número pequeno de indivíduos que podem ser beneficiados com o tratamento.

A Luxturna funciona por aumento do gene. É fornecida uma cópia sem alteração do gene RPE65 diretamente nas células da retina. Estas células da retina começam a produzir a proteína normal RPE65 que converte luz em sinais elétricos na retina para restaurar a perda de visão do paciente.

Sua administração através de uma injeção sub-retiniana em ambos os olhos separadamente e em dias separados. Esse é um tratamento único, significando que mesmo sendo uma medicação cara será necessário a aplicação em cada olho.

Os benefícios desse tratamento são principalmente a estabilização da progressão da perda visual, a melhora de percepção luminosa e ampliação de campo visual. Esses benefícios geram uma vida com maior autonomia, a mobilidade da pessoa aumenta e os familiares e indivíduos ganham uma melhora em sua qualidade de vida.

Neste momento cada voz conta para que a medicação seja incorporada no SUS. Colabore na consulta pública 67 da Conitec para mostrar seu apoio aos que podem se beneficiar desse tratamento. Para participar basta clicar aqui e preencher o formulário opnando se esse medicamento deve ser oferecido no SUS.

Esse é o primeiro tratamento para uma doença hereditária da retina que utiliza uma medicação totalmente inovadora. Esse tratamento é o ponta pé inicial que abrirá as portas para um futuro em que outras distrofias retinianas também poderão ser tratadas.

Mutações bialélicas no gene RPE65

Ao fundo aparece uma foto de pessoas com máscara protestando. O texto no topo diz: Mutações bialélicas no gene RPE65. No centro, alinhado à esquerda o texto diz: Pessoas com mutações no gene RPE65 apresentam perda visual desde a infância. Sem tratamento a perda pode ser irreversível. No canto inferior esquerdo há a logo da Retina Brasil, no centro a #RPE65 e no canto inferior direito um desenho de uma mulher com megafone e um homem com os braços para cima, protestando.

As mutações bialélicas no gene RPE65

Existem duas doenças hereditárias da Retina que são causadas por mutações bialélicas no gene RPE65, são elas a Amaurose Congênita de Leber (ACL) e a Retinose Pigmentar (RP). Essas degenerações retinianas podem apresentar sintomas desde a infância. Os sintomas mais comuns para Amaurose Congênita de Leber são a dificuldade em focar objetos, as crianças costumam apertar os olhos, em alguns casos apresentam nistagmo (movimento involuntário dos olhos) e a cegueira noturna (quando a visão piora em ambientes com pouca luminosidade).

Contribua, aqui, na consulta pública para que crianças e jovens com essas distrofias não percam a visão existindo um tratamento.

Essas mutações no gene RPE65 fazem com que as células fotorreceptoras da não metabolizem de forma adequada uma enzima especifica da vitamina A. A perda na visão se da de forma progressiva podendo levar a cegueira completa.

As doenças causadas por mutações no gene RPE65 são de caráter autossômico recessivo. Significando que, para apresentar a doença deve ser herdada uma cópia mutada de cada progenitor. Os progenitores podem carregam uma cópia sadia e outra copia com a mutação. A doença só se manifesta quando ambas as copias do gene deste individuo tem a mutação.

Por tanto, essas doenças são consideradas hereditárias pois, as mutações no gene são provenientes dos pais. Isso faz com que muitas vezes exista mais de um irmão na familia com a distrofia de retina.

Prevalência dessas distrofias de retina

A prevalência global da Retinose Pigmentar é relatada como variando entre 1 caso a cada 2.500 pessoas e 1 caso a cada 7.000 pessoas. Já a prevalência da Amaurose Congênita de Leber (ACL) é estimada entre 1 em 50.000 e 1 em 100.000 pessoas.

Deste modo, ambas as doenças são consideradas raras. Uma vez que a OMS considera como rara uma doença com uma prevalência de até 65 afetados em 100 mil pessoas.

Contudo, apenas uma parte dessas doenças é causada por mutações no gene RPE65. Atualmente a ciência atribui apenas 2% dos casos diagnosticados de Retinose Pigmentar sendo causada por mutações de RPE65. Deste modo, esses casos são considerados ultrarraros devido a sua prevalência na população em geral.

O único tratamento aprovado para uma DHR

Após muitos anos de desesperança e pesquisas cientificas, atualmente temos uma primeira medicação aprovada para o tratamento de uma doença hereditária da retina. O voretigeno nevarpoveque (comercializado como LUXTURNA) teve seu registro de comercialização aprovado em agência reguladora em 2017 no FDA (EUA) e no ano de 2020 foi aprovada para uso no Brasil pela ANVISA,

Anterior a isso, ao serem diagnosticados com essas doenças as pessoas não possuíam perspectivas de futuros tratamentos. Felizmente a ciência vem evoluindo e trazendo esperança para tantas pessoas com essas condições.

Esse medicamento que é utilizado para tratar crianças e jovens adultos com mutações no gene RPE65 se baseia na adição do gene sadio na retina. Isso faz com que as células fotorreceptoras que anteriormente não funcionavam de forma adequada, agora o façam. Para que este tratamento funcione é necessário ter células fotorreceptoras ainda viáveis.

Para pessoas com mutação no gene RPE65 o tratamento já é uma realidade! Existem pesquisas em fase de testes clínicos para outras mutações genicas. No momento temos a oportunidade de contribuir para que esta medicação seja incorporada no SUS!

Apoie essa luta importante contra a cegueira participando da consulta pública 67 da Conitec!

Tecnologia de vetor-duplo em pesquisa de terapia gência para a Doença de Stargardt

imagem ilustrativa. Há tubos de ensaio, uma lupa, docuemtnos e um estetoscópio. Está escrito: "Notícias de Pesquisas" e há a logo da Retina Brasil.

Está notícia foi traduzida pela Retina Brasil. Para acessar a matéria original, clique aqui. Lembre-se de sempre consultar o seu médico oftalmologista, ele é o melhor profissional para escalrecer as suas dúvidas sobre diagnóstico, tratamento e pesquisas.

 

A empresa AGTC anuncia  seu segundo programa de pesquisa em oftalmologia pré-clínica para a Doença de Stargardt e publicada resultados pré-clínicos convincentes que sustentam o potencial de sua tecnologia de vetor duplo para tereapia gênica.

A entrega simultânea de dois vetores AAV otimizados expande o potencial terapêutico e comercial da plataforma AAV líder da indústria da AGTC, permitindo o fornecimento de DNA que codifica proteínas maiores.

Gainesville, Flórida e Cambridge, Massachutes; 05 de Novembro de 2019 (Globe Newswire) – A Applied Genetic Technologies Corporation (Nasdaq: AGTC), uma empresa de biotecnologia que realiza testes clínicos em humanos para terapias gênicas baseadas em vírus adeno-associados (AAV) para o tratamento de doenças raras, anunciou hoje que identificou a Doença de Stargardt como o segundo programa de oftalmologia em sua expansão pré clínica anunciada anteriormente, que também inclui um programa focado na forma seca da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). A empresa está reportando dados de validação de conceito para sua candidata à terapia gênica da Doença de Stargardt em primatas não-humanos (PNH).

A Doença de Stargardt, a forma mais comum de degeneração macular hereditária, ocorre em 1 entre 8.000-10.000 indivíduos e, na maioria das vezes, resulta de mutações no gene ABCA4. A perda da proteína ABCA4 funcional leva ao acúmulo de substâncias tóxicas nas células fotorreceptoras, resultando na morte delas e também na perda progressiva da visão. Um desafio chave no desenvolvimento de uma terapia gênica baseada em AAV para o tratamento da Doença de Stargardt é que a sequência de DNA que codifica a proteína ABCA4 excede a capacidade de carga útil dos vetores AAV. O programa da AGTC para Doença de Stargardt aborda efetivamente esse desafio, dividindo a sequência de codificação em dois vetores AAV separados. Uma vez dentro da célula, os dois fragmentos de DNA se recombinam para formar a sequência de codificação completa, que produz a proteína ABCA4 funcional de comprimento total.

“A expansão de nosso pipeline pré-clínico para incluir a Doença de Stargardt e a DMRI seca  demonstra a ampla utilidade terapêutica e comercial de nossa plataforma proprietária de fornecimento de genes AAV” disse Sue Washer, presidente e CEO da AGTC. “Nosso programa para Doença de Stargardt ressalta nossa capacidade de alavancar nossa expertise em vetor AAV e engenharia de genoma para expandir a terapia genética de AAV em novas indicações que exigem a entrega de cargas úteis de DNA maiores. A DMRI seca representa uma oportunidade de mercado muito atraente, uma vez que a doença afeta mais de 24 milhões de pessoas em todo o mundo. Cada um desses programas pré-clínicos baseia-se em nossas capacidades líderes do setor de terapia gênica para doenças da retina e eles irão alavancar nossa expertise em expansão no projeto e implementação de estudos pré-clínicos e clínicos que são otimizados para o sucesso.”

William Hauswirth, PhD, inovador líder em terapia gênica de AAV na Universidade da Flórida e colaborador acadêmico de longo prazo da AGTC, e seus colegas na Universidade de British Columbia, publicaram recentemente dados demonstrando que um sistema de vetor AAV duplo híbrido ABCA4 era seguro e proporcionava benefício terapêutico em um modelo de camundongo da Doença de Stargardt .1 Pesquisadores da AGTC otimizaram os vetores utilizados no estudo do Dr. Hauswirth para administração em PNHs. Em um estudo de 13 semanas, a injeção sub-retinal de AAVs preparados na AGTC que codificam o fragmento N-terminal e o fragmento C-terminal da proteína ABCA4 humana, que foram marcados para distinguir a proteína ABCA4 de primata não-humano de ocorrência natural, resultou na detecção clara da proteína ABCA4 humana recombinante de comprimento total. A proteína foi detectada em punções de tecido colhidas de dentro da bolha sub-retiniana, mas não no tecido circundante não tratado, confirmando a especificidade e eficácia da administração do vetor. Estes resultados em PNHs são um importante avanço técnico para o uso de sistemas de expressão de vetores AAV duplos na terapia gênica da retina. Com base nos resultados deste estudo, a AGTC está continuando o desenvolvimento terapêutico de seu sistema de vetor duplo otimizado para o tratamento da doença de Stargardt.

“Nossa publicação recente forneceu dados de validação de conceito importantes que apoiam a segurança e a utilidade terapêutica do uso de um sistema de vetor AAV duplo para fornecer e transmitir a proteína ABCA4” disse William W. Hauswirth, PhD, Professor de Oftalmologia e Maida e Morris Rybaczki Eminent Scholar Chair em Ciências Oftálmicas do Departamento de Oftalmologia da Universidade da Flórida. “A demonstração do AGTC de que esta abordagem é segura e resulta na expressão da proteína ABCA4 em PNHs após a injeção sub-retiniana de seus vetores otimizados é um marco importante no avanço da terapia genética para a Doença de Stargardt.”

Referência   

1 Dyka FM, Molday LL, Chiodo VA, Molday RS e Hauswirth WW. O tratamento do vetor duplo ABCA4-AAV reduz o acúmulo de A2E retinal patogênico em um modelo de camundongo com doença de Stargardt autossômica recessiva. Human Gene Therapy. 30 de Setembro de 2019. Doi: 10.1089/hum.2019.132.

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Sobre a AGTC

A AGTC é uma empresa de biotecnologia em estágio clínico que usa uma plataforma proprietária de terapia genética para desenvolver terapias gênicas transformacionais para pacientes que sofrem de doenças raras e debilitanes. Seu foco inicial está na área de oftalmologia, na qual possui ensaios clínicos ativos em Retinose Pigmentar relacionada ao X e Acromatopsia (ACHM CNGB3 & ACHM CNGA3). Além de seus ensaios clínicos, a AGTC tem programas pré-clínicos em optogenética, adrenoleucodistrofia (ALD), que é uma doença do sistema nervoso central (SNC), e outras indicações do SNC, oftalmologia e otologia. O programa de optogenética tem sido desenvolvido em colaboração com a Bionic Sight. Já o programa de otologia está sendo desenvolvido em parceria com a Otonomy. A AGTC tem um portfólio de propriedade intelectual significativo e ampla experiência no projeto de produtos de terapia genética, incluindo capsídes, promotores e cassetes de expressão, bem como expertise na formulação, fabricação e distribuição física de produtos de terapia genética.

Sobre a Retinose Pigmentar ligada ao X (do inglês, XLRP)

A XLRP é uma condição hereditária que causa perda progressiva da visão em meninos e homens jovens. As características da doença incluem cegueira noturna na primeira infância e diminuição progressiva do campo de visão. Em geral, os pacientes com XLRP vivenciam um declínio gradual na acuidade visual ao longo do curso da doença, o que resulta em cegueira legal por volta da 4ª década de vida.  A AGTC recebeu a designação de medicamento órfão da FDA (Food and Drug Administration) dos EUA em 2017, bem como a mesma designação da Comissão Européia em 2016, por seu produto de terapia gênica candidato a tratar a XLRP causada por mutações no gene RPGR.

Sobre a Acromatopsia (ACHM)

A acromatopsia é uma doença hereditária da retina, que está presente desde o nascimento e é caracterizada pela falta de função dos fotorreceptores do tipo cone. A condição resulta em acuidade visual acentuadamente reduzida, extrema sensibilidade à luz causando cegueira diurna e perda completa da discriminação de cores. A acuidade visual melhor corrigida em pessoas afetadas pela acromatopsia, mesmo sob condições de pouca luz, é geralmente cerca de 20/200, um nível em que as pessoas são consideradas legalmente cegas.

Declarações Prospectivas

Este comunicado contém declarações prospectivas que refletem os planos, estimativas, suposições e crenças da AGTC. As declarações prospectivas incluem informações sobre resultados operacionais possíveis ou presumidos, orientação financeira, estratégias e operações de negócios, desenvolvimento de produtos pré-clínicos e clínicos, progresso regulatório, oportunidades de crescimento em potencial, oportunidades de mercado em potencial e os efeitos da concorrência. Declarações prospectivas incluem todas as declarações que não são fatos históricos e podem ser identificadas por termos como “antecipa”, “acredita”, “poderia”, “busca”, “estima”, “espera”, “pretende”, “pode”, “planeja”, “potencial”, prevê”, “projeta”, “deveria”, “irá”, “faria” ou expressões similares e as formas negativas destes termos. Os resultados reais podem diferir materialmente daqueles discutidos nas declarações prospectivas, devido a uma série de fatores importantes. Os riscos e incertezas que podem fazer os resultados reais diferirem materialmente incluem, entre outros: a terapia gênica ainda é nova, com apenas alguns tratamentos aprovados até agora; a AGTC não pode prever quando ou se obterá aprovação regulatória para comercializar um produto candidato ou receberá um reembolso razoável; incertezas inerentes aos ensaios clínicos e ao processo de revisão regulatória; riscos e incertezas associados ao desenvolvimento e comercialização de medicamentos; fatores que podem fazer com que os resultados reais difiram materialmente daqueles descritos nas declarações prospectivas são apresentados sob o título “Fatores de Risco” no Relatório Anual da empresa no formulário 10-K para o ano fiscal encerrado em 30 de Junho de 2019, arquivado com o SEC. Dadas essas incertezas, você não deve depositar confiança indevida nessas declarações prospectivas. Além disso, as declarações prospectivas representam os planos, estimativas, suposições e crenças da administração somente na data deste comunicado. Exceto o que é exigido por lei, não assumimos nenhuma obrigação de atualizar essas declarações prospectivas publicamente ou de atualizar as razões pelas quais os resultados reais podem diferir materialmente daqueles antecipados nessas declarações, mesmo se novas informações forem disponibilizadas no futuro.

Veja o artigo completo: https://health.einnews.com/pr_news/501241014/agtc-announces-stargardt-disease-as-its-second-preclinical-ophthalmology-program-and-reports-compelling-preclinical-data-supporting-the-potential-of?ref=rss&ecode=XA1gyJWn1gRoDHlD&utm_source=RSSNews&utm_medium=rss&utm_campaign=Vision+Loss+News&utm_content=article&fbclid=IwAR0ts2cL0j9tOxfkghNSQwFqy1qOto-7yp-xsBIVPf0b3c8UFum8OsIzA98

 

Primeiro tratamento para doença rara da retina é aprovado no Brasil

#descricaodaimagem: imagem ilustrativa. A imagem mostra tubos de ensaio representativo e atrá há a representação de um filamento de DNA. Está escrito: "Primeiro tratamento para doença rara da retina é aprovado no Brasil" e há a logo da Retina Brasil.

A Anvisa aprovou hoje, 06 de agosto de 2020, o registro do Luxturna. O Luxturna é a primeira terapia gênica no Brasil para o tratamento de doença rara da retina.  Esse tratamento é para a Amaurose Congênita de Leber e a Retinose Pigmentar, ambas quando causadas por mutação no gene RPE65. A Amaurose Congênita de Leber e a Retinose Pigmentar são doenças hereditárias da retina que aparecem na infância. Elas causam uma perda progressiva e irreversível da visão, podendo levar à cegueira. Até o momento  não havia tratamento para essas doenças quando causadas por mutação no gene RPE65. Agora, pós décadas de pesquisas científicas o tratamento deixa de ser sonho para tornar-se realidade. É um gtande avanço para as pessoas que convivem com a  Amaurose Congênita de Leber,  ou a Retinose Pigmentar, causada por mutação no gene RPE65.

O tratamento consiste em uma tecnologia inovadora, a terapia gênica. A terapia gênica visa substituir o gene mutado, causador da doença, por um gene sem a mutação. São elegíveis para o tratamento do Luxturna pessoas com Amaurose Congênita de Leber ,  ou Retinose Pigmentar, causada por mutação no gene RPE65. 

Clique aqui e veja essa publicação no Diário Oficial da União

Saiba mais sobre a Amaurose Congênita de Leber

Saiba mais sobre a Retinose Pigmentar

 

Anvisa aprova norma sobre produtos de terapias avançadas

#PraCegoVer imagem ilustrativa. Há a representação de um filamento de DNA na imagem e está escrito: "Anvisa aprova normasobre produtos de terapia avançada"

A Diretoria Colegiada (Dicol) da Anvisa aprovou, na terça-feira, 18 de fevereiro de 2020, texto normativo sobre o registro sanitário de produtos de terapias avançadas. Isso significa que o Brasil passa a ter definidas as bases regulatórias para desenvolver e registrar produtos de alta tecnologia baseados em células e genes humanos, como as terapias gênicas

Essa regulação é muito positiva, especialmente para as Doenças Hereditárias da Retina (DHR). A Regulação permite o desenvolvimento e a aprovação de terapias avançadas de forma segura e eficaz. Isso é bom para as Doenças Hereditárias da Retina (DHR), pois muitas pesquisas para essas doenças envolvem terapias avançadas, por exemplo, as terapias gênicas.

Segundo a Profa. Dra. Juliana Sallum : “A boa notícia é que a nova estrutura da Anvisa permitirá a realização de estudos e o registro de medicações de forma mais rápida , atualizada de acordo com outros países, além de mais segura para os brasileiros.” 

A Retina Brasil comemora esse avanço regulatório.

Clique aqui e acesse a nota oficial da Anvisa

Assista também ao vídeo oficial da Anvisa do programa Papo Expresso com Renata Parca, especialista em vigilância sanitária da Anvisa:

 

COMUNICADO IMPORTANTE!

Imagem com os dizeres: "Empresa francesa Horama inicia pesquisa clínica fase I/II. Trata-se de terapia gênica com vetor viral para retinose pigmentar relacionada ao gene PDE6B. SAIBA MAIS!". A imagem está dividida ao meio horizontalmente, os dizeres estão na metade inferior em letras brancas sobre fundo verde claro. Na metade superior ha uma representação de uma parte de um filamento de DNA em espiral, essa imagem está em tons azulados. A Logo da Retina Brasil está ao lado esquerdo.
A Retina Brasil informa:
“A empresa Francesa Horama (www.horama.fr) vai iniciar uma pesquisa clínica fase I/II. Trata-se de uma terapia gênica usando um vetor viral (adenovirus associado) para tratar retinose pigmentar relacionada ao gene PDE6B.
Nesta pesquisa serão incluidos 12 pacientes com mais de 18 anos. Estes pacientes serão divididos em 3 grupos que usarão 3 doses diferentes da medicação. Será realizada uma cirurgia em um dos olhos com colocação do vetor viral no espaço subrretiniano. “
Juliana M Ferraz Sallum
Fonte: Comunicado enviado pela Retina Internacional 
Imagem com os dizeres: "Empresa francesa Horama inicia pesquisa clínica fase I/II. Trata-se de terapia gênica com vetor viral para retinose pigmentar  relacionada ao gene PDE6B. SAIBA MAIS!". A imagem está dividida ao meio horizontalmente, os dizeres estão na metade inferior em letras brancas sobre fundo verde claro. Na metade superior ha uma representação de uma parte de um filamento de DNA em espiral, essa imagem está em tons azulados. A Logo da Retina Brasil está ao lado esquerdo.
Imagem com os dizeres: "Empresa francesa Horama inicia pesquisa clínica fase I/II. Trata-se de terapia gênica com vetor viral para retinose pigmentar relacionada ao gene PDE6B. SAIBA MAIS!". A imagem está dividida ao meio horizontalmente, os dizeres estão na metade inferior em letras brancas sobre fundo verde claro. Na metade superior ha uma representação de uma parte de um filamento de DNA em espiral, essa imagem está em tons azulados. A Logo da Retina Brasil está ao lado esquerdo.