Recursos de Apoio a Pacientes com Visão Sub-Normal

Nos estágios iniciais da perda de visão a maioria dos pacientes com Doenças Degenerativas da Retina (DDRs) podem gerenciar muito bem suas tarefas visuais. No entanto, a medida em que a perda da visão avança, algumas adaptações são necessárias. Há uma ampla gama de recursos, serviços e tecnologias que colaboram na rotina de pessoas com baixa visão. Esta realidade é muito mais concreta em países desenvolvidos, enquanto que nos países em desenvolvimento ainda há um longo caminho a se percorrer.

A internet tornou-se uma ferramenta muito importante na sensibilização da população sobre o assunto, promovendo debates e discussões que vão desde questões de legislação e direitos das pessoas com deficiência até o compartilhamento de experiências para tornar a vida dessas pessoas mais fácil.

Dispositivos auxiliares

Um dispositivo auxiliar pode ser tão simples como uma caneta de ponta de feltro preto ou tão complicada como um programa de computador de reconhecimento de voz capaz de escrever uma carta. Alguns são ópticos, como o uso de lentes e prismas conhecidos há centenas de anos, enquanto outros se apóiam na mais recente tecnologia.

É importante ressaltar que nenhum dispositivo auxiliar pode substituir nossa complexa visão. Portanto não há um dispositivo universalmente compatível. É necessário testar alguns, de diversos fabricantes e desenvolvedores e avaliar como é a adaptação com cada um deles.

 Para um dispositivo auxiliar ser bem sucedido, três passos importantes precisam ser seguidos:

  • Avaliação precisa
  • Boa escolha de dispositivo
  • Formação na utilização do dispositivo

 
Dispositivos Ópticos

Estes são fornecidos por um especialista após cuidadosa avaliação de sua visão remanescente. As três técnicas que ele pode usar devem incorporar ampliação de tamanho, de distância ou angular.

Dispositivos de ampliação pode ser acoplados ao nosso corpo como os óculos ou manuseados como as lupas. Existem no mercado uma variedade enorme de dispositivos de ampliação que devem atender à diferentes necessidades.

 
Tecnologia Assistiva

O rápido avanço da aplicação e miniaturização de novas tecnologias tem ajudado na produção de programas de computador e dispositivos para pacientes de baixa visão. As opções são  Vastas e uma visita a um fornecedor de serviços especializados é fundamental. Para ajudar a entender o que você deve buscar aqui estão algumas descrições gerais.

Ampliação de tela e software de voz

Estes programas irão converter texto normal em um formato acessível – seja para uma versão ampliada ou uma versão de voz. Eventualmente, algumas pessoas com perda de visão devem considerar um pacote que combine as duas funcionalidades.

As versões mais recentes do Windows têm ambos os elementos internos, procure o ícone de acessibilidade em seu painel de controle. Ícones do desktop podem ser ampliados,  textos e e-mails ampliados ou convertidos em voz. Contraste e tamanho também são ajustáveis.

Reconhecimento de caracteres

Scanners trazem o texto para o computador para que os programas acima possam transformá-los em versões audíveis para pessoas com baixa visão. Há scanners que são portáteis e funcionam como um mouse. Quando combinado com um computador  com a leitura de tela ou software de ampliação, por vezes, pode ser tudo o que uma pessoa com baixa visão precisa em seu local de trabalho. Um scanner fixo em uma estação de trabalho pode estar disponível através de uma rede de computadores a outros trabalhadores e pode ser uma solução mais rentável para os empregadores.

Um scanner de Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR) converte texto em fala. Estas são máquinas caras, mas versáteis para aqueles sem conhecimentos de informática. O texto pode ser salvo e excluído.

Outros Dispositivos & Serviços

Conversores de voz para texto

Estes conversores precisam de configurações para reconhecer a voz, mas são de enorme benefício para pessoas com poucas habilidades nos teclados. Programas de fala para telefones são extremamente úteis para o uso de mensagens de texto ou o catálogo de endereços.

 Audio livros

Há Organizações Não Governamentais que fornece estes serviços em muitos países. No Brasil, a Fundação Dorina Nowill fornece este tipo de material. Faça-os uma consulta.

 Acesso à telefonia

Alguns provedores de serviços de telefonia têm um livre serviço de informações telefônicas para os usuários com deficiência visual. Verifique com o seu provedor local.

 
ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA

Treinamento para Atividades da Vida Diária

Algumas organizações fornecem treinamentos para que os pacientes e cuidadores entendam e saibam como lidar com a perda de visão. São dicas úteis, treinamento e técnicas de adaptação para a casa ou local de trabalho.

Orientação e Mobilidade
Mobilidade

Ir do ponto A ao ponto B muitas vezes é a complicação mais frustrante para as pessoas com baixa visão. O uso da bengala pode ser um recurso muito útil para a independência das pessoas com baixa-visão. Várias instituições de deficientes visuais oferecem treinamento para que esse recurso seja usado com segurança.

Bengala

Há uma infinidade de modelos para diversas funcionalidades. Geralmente a bengala curta é o primeiro recurso à mobilidade utilizado por pessoas com a diminuição da visão. Para as pessoas com baixa-visão sua principal função é alertar outras pessoas para a sua perda de visão, isso muitas vezes,  vai salvar-lhe do constrangimento e ridicularizarão do público desavisado da sua limitação visual.

O uso eficiente e seguro de uma bengala longa requer treinamento especializado de um instrutor de mobilidade, mas para as pessoas com grave perda de visão periférica, isto pode ser uma ferramenta libertadora.

Sistemas de Posicionamento Global (GPS)

Há uma série de testes sendo realizados com o objetivo de integrar Sistemas de Posicionamento Global como um auxiliar de navegação.

Instruções para o dia a dia

Como parte do treinamento de mobilidade, algumas organizações fornecem treinamentos que oferecem dicas úteis sobre a formação, orientação e técnicas de adaptação para a casa ou local de trabalho.

Cão Guia

ONGs oferecem este serviço em alguns países, mas o estilo de vida e a aceitação cultural pode ser um fator determinante. A maioria dos provedores insistem em treinamento com bengala muito antes de um cão-guia. Geralmente é necessário treinamento na ONG e no seu ambiente doméstico.

 

Educação e Carreiras

Escola

A maioria das crianças com a degeneração da retina completam sua educação em escolas regulares. Para que isso seja bem sucedido o apoio de pais e professores é um pré-requisito. Crianças com deficiência grave podem se beneficiar da ajuda e atenção individual oferecidos por atendimento educacional especializado. A decisão deve ser feita pelos pais em consulta com especialistas. Cada criança deve ser considerada como um indivíduo e não há regras rígidas e rápidas para a tomada de qualquer decisão.

Dicas para Professores:

  • Garantir iluminação adequada em sala de aula em todos os momentos. Eventualmente,  uma lâmpada de mesa para a criança pode ser necessária. Acender a luz imediatamente após a apresentação de filme ou vídeo.
  • Permitir que a criança escolha sentar mais próxima ou ao lado do quadro-negro.
  • Permitir  tempo extra para completar tarefas e atribuições. Um problema visual, muitas vezes, atrasa as tarefas da criança consideravelmente.
  • A lenta adaptação às condições de luz causada pela Retinose Pigmentar pode fazer com que a criança leve por volta de 10 a 15 minutos para se ambientar e passar a ter alguma visão.
  • Assegurar uma explicação verbal de todas as atividades escritas no quadro ou projetadas. Uma cópia impressa do trabalho vai permitir à criança acessá-lo com um dispositivo auxiliar.
  • Permitir que a criança escreva utilize recursos especiais de caligrafia, como canetas, cadernos e livros diferenciados. Crianças com degeneração macular não pode ver as pautas do caderno adequadamente. Sempre que possível permita que a criança use seu computador.
  • Assegurar que os dispositivos necessários de assistência são fornecidos para que o aluno possa lidar com tarefas visuais.
  • Estar ciente dos problemas de segurança na sala de aula que podem ser causados por obstáculos como mochilas e lancheiras deixadas nos corredores.
  • Assegurar que os livros de texto estejam  disponíveis para gravação por prestadores de serviços especializados.
  • Incentive a criança a participar de atividades extra-classe onde sua perda visual não inibem o seu sucesso, tais como natação, corrida, teatro, xadrez ou debate.
  • Incentivar o debate aberto e honesto com o aluno e com os companheiros de classe. Simuladores de baixa visão são uma boa maneira de desmistificar a perda da visão e estimular a compreensão e empatia imediata dos funcionários e estudantes.
  • Incentivar o aluno a articular as suas necessidades, mas incentivá-los a alcançar o seu potencial sem o uso de sua perda de visão como uma desculpa para não tentar.
  • Garantir orientação profissional especializada.

 

Orientação Profissional

As tecnologia de acesso abriram o mundo para pessoas com baixa visão e estereotipar a criança deve ser evitado a todo custo. Incentive a criança a desenvolver um interesse e uma paixão por algo e explorar as possibilidades de carreira que esta paixão proporciona. Vivemos em uma sociedade baseada na informação e garantir que a criança tenha bons conhecimentos de informática vai abrir este mundo para eles.

Pessoas com perda visual moderada ou até mesmo severa têm carreiras de sucesso em quase todos os campos, incluindo:

Finanças, Política, Administração, Ensino, Fonoaudiologia, Fisioterapia, programação de computadores, Psicologia, Terapia Estética, Vendas, Palestras, Direito, Relações Públicas e Jardinagem, mas a lista é interminável.

Encontrar um modelo de sucesso e mentor para a criança, muitas vezes, pode ser toda a motivação de que eles precisam.

 

Família e Relacionamentos

As doenças degenerativas da retina são mais comumente herdadas de forma recessiva. Isto significa que não há histórico de perda de visão na família e, consequentemente, nenhuma ideia do que o futuro reserva para a pessoa ou pais de uma criança afetada. Os passos normais de luto pela perda da visão é comum.

Estes são os seguintes:

Negação: Buscar outra opinião médica é comum, na esperança de que houve um diagnóstico errado.

De barganha: Curandeiros e charlatões são frequentemente procurado por uma cura milagrosa.

Raiva: Contra tudo e contra todos é comum. No caso dos pais de uma criança afetada essa raiva muitas vezes se transforma em buscar um culpado por carregar um gene da doença

Depressão: Esta é muitas vezes um efeito colateral grave e recorrente de perda de visão.

Aceitação: Apenas quando ela for alcançada você pode assumir o controle de sua vida novamente.

A criança com necessidades especiais muitas vezes pode colocar grande pressão sobre os outros membros da família com resultados devastadores. Sentimentos não expressos de culpa e medo às vezes podem levar a uma degradação geral da comunicação familiar. Quando um cônjuge é diagnosticado o parceiro saudável muitas vezes se sente incapacitado para lidar com a carga extra e se afasta de enfrentar esse medo. O aconselhamento familiar feito antes que isso aconteça irá evitar essas reações extremas. Após o diagnóstico de uma DDR uma sessão de aconselhamento pode ajudar a estabelecer a comunicação aberta e honesta na família.

Uma criança com degeneração da retina precisa de ser acompanhada muito sabiamente. É importante não super-proteger a criança ou deixá-los usar sua perda de visão como uma desculpa para não cumprir o seu potencial. Não negligenciar os outros irmãos também é fundamental.

O maior presente que você pode dar ao seu filho especial é uma boa auto-imagem e uma crença de que com dedicação e perseverança, ele pode alcançar as estrelas.

Fonte: Site da Retina Internacional: http://www.retina-international.org/resources/

Os três principais padrões de herança

Imagem representativa do padrão de herança recessivo.

OS três principais padrões de herança são Autossômico recessivo, autossômico dominante e ligada ao cromossomo X.

 A maioria das doenças hereditárias da retina – incluindo a Retinose Pigmentar, a Doença de Stargardt, a Síndrome de Usher – são herdadas. Elas são causadas principalmente por variações genéticas que são passadas de um ou de ambos os pais, através de um dos três padrões de herança revisados neste artigo. 

A discussão a seguir sobre os padrões de herança não é relevante para a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), pois o risco de DMRI está associado a uma combinação complexa de fatores genéticos e estilo de vida, chamada de herança multifatorial.

Genes e Cromossomos

 

Os seres humanos tem cerca de 25.000 pares de genes. Os genes desempenham um papel importante na determinação de quem somos – nossa altura, cor dos cabelos, o risco de algumas doenças, e muito mais. Todos nós temos muitas variações, defeitos e alterações em nossos genes. A maioria destas variações não afetam o que somos ou a nossa saúde e bem-estar. No entanto, algumas variações genéticas, também chamadas de mutações, podem causar problemas. Algumas mutações levam à doenças, incluindo doenças degenerativas da retina.

Os genes estão localizados em estruturas chamadas cromossomos, e os seres humanos normalmente têm 23 pares de cromossomos. Nós herdamos um cromossomo de cada par (e os genes contidos em cada cromossomo) de nossa mãe e um do nosso pai. Os pares cromossômicos 1 a 22 são conhecidos como cromossomos autossômicos (não-sexuais). Os cromossomos no par 23 são conhecidos como os cromossomos sexuais, porque uma das funções é determinar o sexo que teremos.

Portadores do gene

Algumas pessoas são portadoras da doença, o que significa que eles próprios não têm a doença, mas têm o gene mutado e podem passá-lo para seus filhos.

Afetados pela doença

Quando alguém tem a doença e apresenta sintomas da mesma, eles são conhecidos como sendo afetados.

Doenças hereditárias da retina são herdadas de uma das três seguintes maneiras:

Herança autossômica recessiva

Imagem representativa do padrão de herança recessivo.
Imagem representativa do padrão de herança recessivo.

Para ser afetado por uma doença recessiva, uma criança deve herdar uma cópia mutante do gene de ambos os pais. Com a doença recessiva, cada pai tem uma cópia mutada e uma cópia normal do gene em causa. Como cada um dos pais tem tem apenas uma cópia mutante do gene, eles são portadores do gene e não desenvolvem a doença, eles não têm problemas de visão.

Se a criança herda apenas um gene mutante de um pai, então a criança será um portador da do gene e não será afetado pela doença e não vai sentir qualquer problema.

Se a criança herda uma cópia mutante de cada genitor, a criança poderá desenvolver a doença e a perda da visão associada.

Para doenças recessivas, há 25% de chance da criança ser afetada, e 50% de chance de que eles sejam portadores do gene, mas não sejam afetados pela doença. Há também 25% de chance de não receber nenhum gene mutado.

Doenças recessivas são mais susceptíveis de vir como uma surpresa a uma família, porque os pais de uma criança afetada são portadores não afetados, e que a doença pode não ter aparecido por várias gerações.

Exemplos de doenças hereditárias da retina recessivas incluem: Retinose Pigmentar (alguns tipos), a Doença de Stargardt (a maioria das formas), Amaurose congênita de Leber (a maioria das formas) e sSíndrome de Usher

Herança autossômica dominante

Imagem representativa do padrão de herança dominante.
Imagem representativa do padrão de herança dominante.

 

Para ser afetado por uma doença autossômica dominante, uma criança recebe uma cópia de um gene mutante de um dos pais afetado pela doença. É provável que o pai afetado saiba que tem a doença. O outro progenitor não é afetado e nem carrega mutação neste gene.

Com doenças dominantes, há 50% de chance de que uma criança receba o gene mutado e que seja afetado pela doença. E 50% de chance da criança não receber a mutação.

Doenças dominantes tendem a aparecer em várias gerações de uma família, e muitos membros da família são afetados.

Exemplos de doenças hereditárias da retina dominantes incluem: Retinose Pigmentar (algumas formas) e degeneração macular (algumas formas da doença de início precoce).

Herança ligada ao X

Imagem representativa do padrão de herança ligada ao X.
Imagem representativa do padrão de herança ligada ao X.

 

Os padrões de herança para doenças ligadas ao X são mais complexos do que os outros padrões de herança, porque o sexo de ambos os pais e seus filhos determinar se a doença pode ser transmitida aos filhos.

Todas as mulheres têm dois cromossomos X. Todos os homens têm um X e um Y. Quando um homem e uma mulher tiverem um filho, a mulher sempre irá passar um cromossomo X. O homem vai passar um X ou um Y. Se ele passar um X, a criança terá dois cromossomos X e será uma menina. Se ele passar um Y, a criança terá um X e um Y e será um menino.

Doenças ligadas ao X são passadas no cromossomo X. De um modo geral, os homens são afetados por doenças ligadas ao X, e as mulheres são portadores não afetadas. As mães portadoras passam doenças ligadas ao X para seus filhos.

Se uma mãe portadora de uma mutação em um gene ligado ao X tem um filho, há 50% de chance de que o filho seja afetado e outros 50% do filho não herdar o gene mutado.

Se uma mãe portadora de uma mutação em um gene ligado ao X  tem uma filha, há 50% de chance de que a filha seja portadora do gene mas não desenvolva a doença e 50% de que não receba o gene mutado.

Enquanto as mulheres são geralmente portadores não afetadas de doenças da retina ligadas ao X, os pesquisadores descobriram que elas podem ter perda de visão moderada.

Exemplos de doenças hereditárias da retina ligadas ao cromossomo X incluem: Retinose Pigmentar (algumas formas), Coroideremia e Retinosquise.


Saiba mais sobre Genética e sobre as Doenças Hereditárias da Retina

Assista aos vídeos:

A importância do TESTE GENÉTICO: Dra. Fernanda Belga Ottoni Porto

A importância do TESTE GENÉTICO: Dra. Juliana Sallum

Live! TUDO SOBRE TESTE GENÉTICO

Saiba mais sobre genética:

Genética das Doenças da Retina

Toolkit de Genética

Os três principais padrões de hernaça genética

Leia mais sobre:

Sobre Nós

Sobre a Retina Brasil. Nossa Missão e Trabalho.

Doenças Raras e Hereditárias da Retina (DHRs)

Retinose Pigmentar, Doença de Stagardt, Síndrome de Usher, Amaurose Congênita de Leber, etc.

Doenças Comuns da Retina

Deheneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), Retinopatia Diabética, Edema Macular Diabético.

Tecnologia Assistiva

Recursos de tecnologia assistiva, aplicativos, lupas, e outros recursos que ajudam as pessoas com deficiência visual, com Baixa Visão ou cegas.

Nova droga para o tratamento da DMRI

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANVISA) aprovou mais um medicamento para o tratamento da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) em sua forma úmida. Trata-se do aflibercepte (Eylia®), comercializado no Brasil pela Bayer HealthCare Pharmaceuticals. O presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), Walter Yukihiko Takahashi, faz a análise da situação do tratamento da DMRI com este novo cenário em potencial.
A DMRI é a maior causa de cegueira legal após 65 anos de idade. Esta doença é classificada de duas formas: a seca e a úmida. A forma seca não possui tratamento existente. Embora a forma úmida, ou exsudativa, corresponda a apenas 10% das ocorrências, é responsável por 90% dos casos de cegueira pela DMRI. Seu tratamento é eficiente há cerca de sete anos.
Até agora, dois medicamentos estavam disponíveis para tratamento da DMRI por meio de tratamento ocular quimioterápico com antiangiogênico: o ranibizumabe (Lucentis® – Novartis) e, “off label”, o bevacizumabe (Avastin® – Roche), que combatem a molécula responsável pela ativação da doença, Vascular Endothelial Growth Factor (VEGF). Ambas precisam de uma dose de ataque que consiste na aplicação de uma injeção mensal por três meses. A manutenção do tratamento depende de cada caso e do esquema proposto. Mas são pacientes que devem ser seguidos por anos a fio, uma vez que a recidiva é bastante comum nesses casos.
Uma nova droga, o aflibercept (Eylea® – Bayer), chega ao mercado. Já está aprovada para uso nos Estados Unidos desde dezembro de 2011 e agora também no Brasil, já que foi aprovado pela ANVISA há poucas semanas, com previsão para chegar ao mercado brasileiro em poucos meses. Trata-se de uma nova molécula que combate dois fatores que provocam o recrudescimento da doença, o VEGF e o Placenta GrowthFactor (PlGF). Segundo dois grandes estudos, o VIEW I e II, publicados pelo Diretor do Serviço de Retina e Vítreo do Ophthalmic Consultants of Boston, Jeffrey S. Heier (confira no site http://bmctoday.net/retinatoday/pdfs/rt0312_feature_heier.pdf), no primeiro ano de tratamento, aparentemente, menos infusões são necessárias para se controlar a doença em comparação com o ranibizumabe. No segundo ano, o número de infusões foi semelhante com as duas drogas. Entretanto, pelos esquemas propostos de tratamento que existem no momento, o que trata da doença assim que a fase ativa aparece e o que trata da doença antes que a fase ativa apareça, há expectativa de que menos infusões sejam necessárias para se controlar a doença ao longo do tempo.
Por se tratar de medicação nova, nada está comprovado ainda e somente o tempo e a realização de novos estudos permitirão que conclusões sejam tomadas. De qualquer forma, o retinólogo dispõe de uma nova arma em seu arsenal para o tratamento da DMRI exsudativa e tem a chance de mudar de uma medicação para outra se a primeira não funcionar ou se perder o efeito desejado. Quem tem a ganhar, e muito, é o paciente. Em muitos casos, consegue-se manter visão útil por muitos anos”.
Fonte:  Jota Zero – Informativo do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Nº 146,  Novembro/Dezembro 2012.

FDA alerta sobre relatos de infecção ocular pelo uso de injeções de Avastin

A FDA (entidade que regula os medicamentos nos EUA) advertiu sobre relatos de infecções oculares relacionadas ao uso de determinados lotes de Avastin.
FDA warns of eye infection reports with compounded Avastin
By: Joe Barber
The FDA on Wednesday warned about reports of eye infections linked to a recall of unapproved syringes of Roche’s Avastin (bevacizumab) made by a Georgia compounding pharmacy for the treatment of macular degeneration. “The product has or potentially could result in an infection within the eye,” federal regulators said.
Earlier this week, compounding pharmacy Clinical Specialties recalled approximately 40 lots of Avastin syringes after receiving five reports of bacterial endophthalmitis due to infection by streptococcus bacteria. The repackaged product was distributed to doctors’ offices in Georgia, Louisiana, South Carolina and Indiana from December 18 until the present.
Roche’s Genentech unit has long warned against the unapproved use of Avastin for macular degeneration and markets the FDA-approved Lucentis (ranibizumab) specifically for the condition. However, the American Academy of Ophthalmologists and other groups assert that there is no difference in patient outcomes between those given Avastin and those given Lucentis. Repackaged injections of Avastin cost approximately $50, compared with more than $1000 for Lucentis.
In 2011, the FDA warned about a cluster of serious eye infections in Florida linked to Avastin syringes compounded by a pharmacy in that state. In some cases, the infections caused permanent blindness in patients.
(Ref: The Washington Post, The Wall Street Journal, NBC News, FDA)

Brasileiros ajudaram a desenvolver olho biônico

Jornal Folha de São Paulo publica entrevista com o inventor de aparelho que restaura parte da visão em pessoas com uma doença rara e destaca parceria com o país

CLÁUDIA COLLUCCI DE SÃO PAULO
Pesquisadores brasileiros ajudaram a criar o primeiro olho biônico, aprovado no mês passado nos EUA, e agora colaboram em outro projeto que usa células-tronco da retina para recuperar a visão.
A revelação é do inventor do olho biônico, o engenheiro biomédico Mark Humayun, 50, que mantém uma parceria de 15 anos com o departamento de oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Em entrevista exclusiva à Folha, o professor da Universidade do Sul da Califórnia afirma que seu maior desafio tem sido administrar a expectativa das pessoas sobre a nova tecnologia. “Não podemos alimentar falsas esperanças”
O olho biônico Argus II não restaura completamente a visão, mas permite que pessoas com uma doença rara que leva à cegueira (retinose pigmentar) detecte faixas de pedestres, presença de pessoas e grandes números e letras.
Ao menos 60 pessoas na Europa e nos EUA já usam o aparelho, a maioria subsidiada por programas governamentais. A tecnologia aguarda registro da Anvisa para ser comercializada no Brasil.
Espécie de Professor Pardal, Humayun tem cem patentes registradas em seu nome, entre elas bombas de insulina para diabéticos e dispositivos cerebrais.
Folha – O que o inspirou na criação do olho biônico?
Mark Humayun – Minha avó ficou cega por complicações da diabetes e, naquela época, pensei que poderia fazer algo para ajudá-la.
Quando foi isso e quais obstáculos o sr. enfrentou?
Há 25 anos, quando começamos com essa ideia, colocar um computador dentro dos olhos era ficção científica. Nos primeiros anos, havia pouco dinheiro, pouco apoio.
Para mudar isso, passamos a colocar o aparelho por 30, 45 minutos nos olhos de cegos, com anestesia local, e perguntar o que eles estavam vendo. O fato é que puderam ver um eletrodo dentro do olho e, então, acreditamos que poderíamos construir uma retina artificial.
O olho biônico custa US$ 100 mil. O sr. acredita que, com o tempo, ficará mais acessível?
O aparelho possibilita a visão por ao menos dez anos. São US$ 10 mil por ano. Por esse prisma, não é tão caro. Mas acredito que, com melhores técnicas de fabricação, poderemos torná-lo mais barato. Temos que lembrar que foram investidos US$ 200 milhões para desenvolvê-lo. Então, US$ 10 mil dólares por mês não é muito.
O aparelho não restaura completamente a visão. Ele deve ser aprimorado?
Ele permite identificar objetos grandes, como portas, contorno de corpos. Isso é uma grande coisa. Mas os usuários não podem reconhecer um rosto ou ler como nós lemos. A tecnologia deve melhorar cada vez mais.
Ele poderá ser usado em pessoas com outras doenças, como a degeneração macular?
Não temos essa resposta. Teoricamente, só precisamos melhorar a tecnologia.
Em quanto tempo?
O primeiro modelo do aparelho levou 15 anos para ser desenvolvido. O segundo, sete. Estamos aprendendo rápido e, em três ou quatro anos, teremos um novo modelo.
Qual o principal desafio ainda a ser enfrentado?
Administrar a expectativa das pessoas. Todo mundo ouviu sobre o olho biônico e todo mundo quer. Precisamos ser muito claros sobre o perfil de pessoas que serão beneficiadas com ele. Não podemos alimentar falsas esperanças. Ele não pode ser usado em doenças em que o nervo óptico foi lesionado ou em condições em que não há mais células viáveis da retina.
O Brasil teve participação neste projeto?
O Brasil tem um grande papel na pesquisa. Tenho recebido pesquisadores brasileiros no meu laboratório nos EUA, e eles contribuíram muito desde o início.
O sr. desenvolve outra pesquisa, em parceria com a Unifesp, que envolve uso de células-tronco. Do que se trata?
O olho biônico tenta restaurar a visão perdida, já as pesquisas com célula-tronco pretendem recuperar a retina que está morrendo.
São células-tronco que se diferenciam in vitro em células do epitélio pigmentar e são colocadas numa membrana. A hipótese é que colocar essas células debaixo da retina vai dar a nutrição para as outras células se manterem ou melhorarem.
Estamos na fase pré-clínica. Os primeiros pacientes precisam ser aprovados pelo FDA. Isso deve acontecer em 2014.
Fonte: Folha On-line

Olho biônico Argus® II recebe aprovação do FDA (Food and Drug Administration)

Depois de mais de 20 anos de pesquisa e desenvolvimento, a Second Sight Medical Products Inc., lider no desenvolvimento de próteses para retina para deficientes visuais, teve seu sistema de prótese de retina Argus II aprovado pelo FDA, órgão governamental responsável pelo controle de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, para tratar pacientes com avançado estágio de Retinose Pigmentar (RP), doença degenerativa que causa perda de visão. Este anúncio segue-se a aprovação europeia do dispositivo  em 2011, e uma unânime recomendação do Painel Consultivo de Dispositivos Oftalmológicos do FDA em 2012, que afirmou ser este um produto revolucionário para o tratamento da população norte americana.
“O Argus II tem um grande potencial de proporcionar uma mudança de vida com melhor mobilidade e independência aos pacientes. Estamos entusiasmados em poder oferecer a única terapia a longo prazo aprovada pelo FDA para pessoas que sofrem de RP avançada” afirmou Robert Greenberg, presidente e CEO da Second Sight. “Com essa aprovação, esperamos construir uma forte rede de cirurgiões nos Estados Unidos e recrutar novos hospitais que oferecem o implante de retina Argus II. Este é um divisor de águas no campo das doenças que afetam a visão. Representa um enorme passo adiante para estes pacientes que estavam sem opções de tratamento até agora”, conclui Robert.
O Argus II fornece estimulação elétrica da retina para induzir a percepção visual em indivíduos cegos com retinose pigmentar, e tem a capacidade de oferecer uma mudança na qualidade de vida para pacientes incapazes de enxergar ou que, na melhor das hipóteses, enxergam apenas flashes luminosos.
Ainda que a visão resultante não seja igual a das pessoas com visão normal, os pesquisadores envolvidos no teste clínico do Argus II estão empolgados com a aprovação. “É incrivelmente emocionante ter a aprovação da FDA para iniciar a implantação do Argus II e fornecer alguma restauração da visão em pacientes cegos de RP. Nos pacientes que foram implantados até à hoje, a melhoria da qualidade de vida foi inestimável ” constatou Cornelius Pings,  professor de Engenharia Biomédica e Professor de Oftalmologia e Neurobiologia da Escola de Medicina Keck da University Southern California.  “O fato de muitos pacientes poderem usar o implante Argus em suas atividades diárias, tais como reconhecimento de letras grandes, localização da posição dos objeto e mais, foi além dos nossos sonhos. A promessa para os pacientes é real, e esperamos que só melhore ao longo do tempo”, completou.
Com a aprovaçãodo FDA, o Argus II deve estar disponível ainda este ano em centros clínicos dos Estados Unidos.
“Este é um momento emocionante para as pessoas cuja deficiência visual é decorrente da RP. A prótese de retina da Second Sight traz esperança significativa para dezenas de milhares de pessoas com doenças da retina avançadas “, disse Stephen Rose PhD, chefe de pesquisas da Fundação Fighting Blindness. Ele acrescenta: “O Argus II tem o potencial de proporcionar uma visão que resulta em maior mobilidade e independência.”
Aprovação da FDA veio após mais de 20 anos de trabalho de pesquisa, dois ensaios clínicos, mais de US $ 100 milhões em investimento público por parte do National Eye Institute, do Departamento de Energia e da National Science Foundation, e um adicional de US $ 100 milhões em investimentos privados.
Sobre a Retinose Pigmentar (RP)
RP, uma doença degenerativa da retina de caráter hereditário e  que muitas vezes resulta em cegueira quase completa, afeta cerca de 100 mil americanos. O Sistema Argus II se destina a ajudar os pacientes mais afetados pela RP. Esta aprovação aconteceu através de um programa do FDA chamado Humanitarian Use Device (dispositivo de uso humanitário, em tradução livre), que pretende acelerar a introdução no mercado de tecnologias orientadas para o tratamento de populações de pacientes com doenças raras.
Sobre o Argus II System
O Sistema de Argus II funciona através da conversão de imagens de vídeo captadas por uma pequena câmara, alojada em óculos do paciente, em uma série de pequenos pulsos eléctricos que são transmitidos sem fios para uma matriz de eléctrodos sobre a superfície da retina. Estes pulsos são destinados a estimular as células remanescentes da retina resultando na percepção correspondente de padrões de luz no cérebro. O paciente aprende a interpretar esses padrões visuais, assim recuperando alguma função visual. Second Sight ganhou aprovação Europeia (CE Mark) para o sistema em 2011 e aprovação da FDA em 2013. É a primeira e única prótese de retina aprovada em todo o mundo.
Sobre a  Second Sight
Second Sight Medical Products, foi fundada em 1998 para criar uma prótese de retina para proporcionar visão a pacientes cegos devido a degenerações na retina, como a RP. Através da dedicação e inovação, a missão da Second Sight é desenvolver, fabricar e comercializar próteses implantáveis ​​visuais para permitir que as pessoas cegas consigam uma maior independência. Sede dos Estados Unidos fica em Sylmar, Califórnia, e a sede europeia está em Lausanne, na Suíça. Para mais informações, visite www.2 sight.com.
Fonte: Retina Internacional

Genotipagem em oftalmologia

Juliana M. Ferraz Sallum, doutora e mestre em oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); fellowship no Wilmer Eye Institute, Johns Hopkins University; título de especialista em geneticista clínica

A genotipagem é indicada para aconselhamento genético, para aprimorar o diagnóstico e indicar a possibilidade do paciente participar de algumas pesquisas clínicas.

Juliana M. Ferraz Sallum, doutora e mestre em oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); fellowship no Wilmer Eye Institute, Johns Hopkins University; título de especialista em geneticista clínica

O que é genotipagem?
É a identificação das alterações genéticas que causam determinada doença em indivíduos de uma família. Quando a doença é de causa cromossômica, o cariótipo é o exame indicado para detecção de alterações cromossômicas. Mas quando a causa é gênica, é necessário o diagnóstico genético molecular, que pesquisa mutações em genes relacionados à doença.
Por que genotipar?
Até bem pouco tempo atrás a genotipagem era usada para aconselhamento genético em determinadas situações familiares. Hoje há duas novas indicações: diagnóstico e tratamento.
Para diagnóstico deve-se conhecer mais profundamente a doença para melhor entendimento das bases moleculares que a causam. Protocolos de estudos clínicos em pacientes estão avaliando novos tratamentos. E o diagnóstico molecular é critério de inclusão em alguns desses protocolos. Alguns destes tratamentos visam corrigir defeitos genéticos, por meio de terapia gênica. A abordagem pode ser ao nível do DNA, RNA ou em terapias de reposição de proteína ou substâncias que interfiram no metabolismo.
A clínica é soberana?
O direcionamento da pesquisa genética se baseia em diagnósticos clínicos precisos e na identificação do padrão de herança. Uma doença com padrões de herança diferentes pode ser causada por genes distintos, isto é, a heterogeneidade genética. A clínica guia a pesquisa molecular. Existem mais de 180 genes relacionados às distrofias de retina. A experiência em genotipagem tem auxiliado a direcionar a pesquisa molecular. Quando um caso semelhante tem seu gene identificado, esta informação facilita a pesquisa em novos casos.
O que é mutação e polimorfismo?
Ambas são variações genéticas. A mutação é mais rara, encontrada com frequência menor que 1% da população, e causa um defeito que está relacionado ao aparecimento de uma doença. O polimorfismo é uma variação mais frequente que não causa doença, mas que pode predispor ao aparecimento da doença.
As doenças monogênicas em geral são causadas por mutações. Para as poligênicas, os polimorfismos genéticos podem predispor ao aparecimento de determinada doença.
O que a genotipagem busca?
Dependendo da doença em questão procura-se:
• Polimorfismo que confere risco para determinada doença. Ex: polimorfismos que predispõem a DMRI.
• Mutação específica em um gene. Ex: as distrofias de córnea são causadas por mutações específicas no gene TGFβ1.
• Mutações variadas em determinado. Ex: Doença de Stargardt, em geral, está relacionada a mutações no gene ACBA4.
• Mutações variadas em um painel de genes. Ex: Retinose Pigmentar e Amaurose congênita de Leber podem ser causadas por vários genes cada uma. A maioria das distrofias de retina se encontra neste grupo.
Qual método molecular deve ser empregado?
O método depende do que estiver sendo procurando. Se quisermos identificar um polimorfismo ou uma mutação específica podemos testar diretamente aquele ponto do gene. O teste molecular é menos complexo. Usamos PCR e enzimas de restrição ou PCR real time ou ainda sequenciamento de um fragmento de DNA, um exon, por exemplo.
Se tivermos de pesquisar a mutação em qualquer ponto do gene está indicado sequenciar este gene inteiro. O problema é maior quando temos de sequenciar vários genes. Até bem pouco tempo atrás isso era economicamente inviável como exame clínico. Os chips de DNA eram uma possibilidade alternativa, pois testam o DNA do paciente contra uma biblioteca de mutações conhecidas. O problema é que o paciente pode ter uma mutação que não está incluída no chip e o teste é inconclusivo.
Mais recentemente, as técnicas de sequenciamento capilar (tradicional) foram aprimoradas e optimizadas. Equipamentos para sequenciamento mais modernos, chamados sequenciadores de “next generation”, estão entrando no mercado. Isso permite obter o diagnóstico nas situações em que o chip de DNA era inconclusivo.
O sequenciamento aumentou a eficiência da genotipagem. O de “next generation” permite a análise do genoma todo (genômica) ou apenas dos exons (exomas). Essas abordagens possibilitam a identificação de novos genes, o estudo de interação entre genes e de fatores modificadores da expressão dos genes (epigenômica).
A mutação identificada é sempre causadora de doença ou pode ser um polimorfismo?
A análise da patogenicidade da mutação identificada:
• Deve-se pensar no heredograma da família, verificando-se se os afetados são portadores da mutação.
• A mutação deve correlacionar com o padrão de herança. Por exemplo, uma mutação recessiva pode causar a doença por não produzir a proteína. Já para uma mutação dominante o efeito patogênico pode decorrer da insuficiência de apenas um alelo do gene estar funcionando, o que é chamado haploinsuficiência.
• A análise da estrutura da proteína gerada também auxilia esta interpretação.
Existem bancos de dados sobre as mutações.
Aspectos éticos são importantes?
Os geneticistas são os profissionais preparados para avaliar as situações familiares. Todo o teste genético deve ser acompanhado de uma consulta de aconselhamento genético com o médico geneticista para explicar as implicações do resultado do teste para o paciente e seus familiares.
Quais as perspectivas para os pacientes?
Nestes últimos anos alguns protocolos clínicos de pesquisa foram propostos. E os primeiros resultados mostram melhora visual em situações bem particulares. As técnicas empregadas variam entre reposição de carotenoides e antioxidantes e terapia gênica.
A clínica continua soberana. Acompanhar os pacientes com consultas é essencial. A genotipagem é indicada para aconselhamento genético, para aprimorar o diagnóstico e para indicar a possibilidade do paciente participar de algumas pesquisas clínicas.
Isso reforça que a prova de princípio existe. Há esperança dentro desta linha de pesquisa que busca a melhora visual dos pacientes com doenças genéticas.
Fonte: Revista Universo Visual, edição de agosto de 2011. Acesse o site da publicação aqui.

Olhos para a Cidadania

Olhos para a cidadania

Durante a 36ª SIMASP, no dia 9 de março das 10hs30 às 12hs30, será realizado o programa ‘Olhos para a Cidadania’, que discutirá protocolos clínicos aplicados à pacientes com DDR.
Caro afiliado,
logomarca retina são paulo
Reencaminhamos abaixo, convite dos coordenadores do Painel “Olhos para a Cidadania 2013”, Drª.Profª Juliana Sallum e Dr. Prof. Mauro Campos do Instituto da Visão  da UNIFESP, que neste ano discutirá questões importantes sobre os protocolos clínicos que estão sendo aplicados à pacientes com doenças degenerativas da retina.  Observem também abaixo o e-mail correto para efetuar as inscrições:
                                 retinasp@retinasp.org.br
Participem, pois será uma grande oportunidade de conhecer os resultados alcançados até aqui e dirimir dúvidas sobre o avanço das pesquisas em andamento, que visam ao tratamento e cura para essas doenças nos seguintes campos: células tronco, terapia gênica e visão artificial.
O tema “Importância da genotipagem das doenças genéticas oculares”será abordado pelo Dr. John Chiang (dos Estados Unidos) e teremos a oportunidade única de ouvir o Dr. Mark Pennesi cientista americano envolvido com o protocolo de tratamento por terapia gênica e celular para distrofias da retina – palestras com tradução simultânea.
O evento será gratuito e há, contudo, necessidade de fazer inscrição antecipada. As inscrições deverão ser feitas até 07.03.2013, impreterivelmente, por envio de e-mail para retinasp@retinasp.org.br, informando no assunto: Olhos para a Cidadania – Inscrição, e no corpo do e-mail as seguintes informações: nome completo, telefone para contato e doença.
No local do evento você poderá contar com a ajuda de voluntários do Grupo Retina São Paulo para direcioná-lo à sala de palestras e retirada dos fones para tradução simultânea (para retirada dos fones é obrigatória a apresentação de documento de identidade).
Dúvidas entrem em contato na sede do Grupo Retina São Paulo fone: 5549.2239.
 Maria Julia da Silva Araujo
Grupo Retina São Paulo – Presidente

SIMASP 2013

Olhos para a Cidadania

Medicina Translacional
Protocolos clínicos aplicados à pacientes
com doenças degenerativas da retina

 Dia: 9 de março de 2013   das 10h 00 às 12h30
Local: Maksoud Plaza Hotel – Sala Rio de Janeiro
 Alameda Campinas, 150 – São Paulo SP. Estação Trianon MASP do metrô

  • Abertura: Mauro Silveira De Queiroz Campos
  • Introdução às novas tecnologias: Juliana M Ferraz Sallum
  • Pesquisas utilizando células tronco: Lygia Pereira
  •  Pesquisas sobre células tronco para doenças da retina: Caio Vinicius Saito Regatieri
  •  Visão artificial – Caminhos para aplicação desta tecnologia na reabilitação visual: Rodrigo Brant
  •  Importância da genotipagem das doenças genéticas oculares: John Chiang – (Estados Unidos)
  •  Distrofias de retina primeiros protocolos de tratamento por terapia gênica e celular: Mark Pennesi – (Estados Unidos)
  •  Perguntas e respostas

Para saber mais sobre o evento, por favor, acesse o site da 36ª SIMASP: http://www.oftalmo.epm.br/simasp2013/

Ministério da Saúde abre consulta pública sobre diretrizes para tratamento da DMRI no SUS

Ministério da Saúde abre consulta pública sobre diretrizes para tratamento da DMRI no SUS

Ministério da Saúde abre consulta pública sobre diretrizes para tratamento da DMRI no SUSO Ministério da Saúde abriu a Consulta Pública para a discussão sobre a inclusão do medicamento bevacizumabe como medicamento único para o tratamento da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) no Sistema Único de Saúde (SUS). A Consulta Publica foi divulgada no Diário Oficial da União de 13/09/2012 e trata do “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da DMRI”.
Nós da Retina Brasil, ao mesmo tempo em que manifestamos nossa satisfação por assistir à inclusão do tratamento desta doença no SUS, viabilizando o acesso de milhares de pessoas ao tratamento em centros especializados de retina de clínicas e hospitais públicos, queremos registrar nossa preocupação com relação à segurança no manuseio do medicamento indicado para uso no SUS, considerando os seguintes aspectos:
O bevacizumabe exige fracionamento no uso oftalmológico (uso intraocular) que se não for feito adequadamente pode acarretar ocorrência de infecção ocular (endoftalmite).

  • Haverá controle do fracionamento do medicamento visando a sua segurança?
  • Que garantias o paciente terá que esse fracionamento será efetuado de maneira correta?
  • Como será feita a distribuição do medicamento pelo SUS?
  • Considerando-se que o medicamento requer cuidados de conservação, haverá regulamentação para o armazenamento do medicamento nos locais de atendimento do paciente.

O ranibizumabe é utilizado no tratamento da DMRI. Esta medicação foi desenvolvida e aprovada para uso em oftalmologia, mas não foi incluída no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Degeneração Macular Relacionada à Idade DMRI. Além dela outras medicações estão em fase de lançamento.

  • A Conitec estudará a inserção desses medicamentos para tratamento da DMRI?

Atuando na defesa dos interesses dos indivíduos com doenças degenerativas da retina, o Grupo Retina Brasil solicita a todos que se posicionem com relação à consulta pública do Ministério da Saúde para esses questionamentos, de forma que garanta ao paciente com DMRI a segurança no tratamento da sua doença bem como o seu acompanhamento permanente durante e após o tratamento.
Até o dia 12 de novembro de 2012 você pode colaborar manifestando suas considerações frente a esta medida enviando um e-mail para pcdt.consulta@saude.gov.br especificando “Consulta Pública Nº 10 de 12 de Setembro de 2012 – PCDT de DMRI” no título da mensagem.
Manifeste-se!
Referência: Consulta Pública nª 10 – 12/09/2012 – publicada no Diário Oficial da União no dia 13/09/2012 sob o nome “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Degeneração Macular Relacionada à Idade DMRI”